Eu tinha-lo na palma das minhas mãos, parecia tão seguro e inquebrável. Pensei que, fizesse o que fizesse, ele nunca cairia. Continuo certo de que, por mim, ainda estaria intacto, sem feridas nem choros, que por mim estaria sempre, sempre seguro.
Acabei por descobrir que não estava só nas minhas mãos, logo, não dependia só de mim. Podia cair a qualquer momento e eu não teria como evitar.
Isso aconteceu hoje, ontem, agora ou à bocado. Veio acontecendo há dias, ou semanas. Meses?! Talvez. Nunca anos. Aquilo só existe há meses.
Foi caindo lentamente, não houve qualquer tipo de aviso prévio. Eu sabia que se algo acontecesse, não poderia fazer nada. Ainda o tentei puxar para cima, mas sem êxito. Vai-se partir. Porquê?...
…A outra mão que o segurava, tropeçou. Deixou-o passar por entre os dedos, e a consequente queda do mesmo, foi inevitável.
Aí vai ele, outra vez, caindo desamparado sem maneira possível de o amparar. Já foi, não havia hipótese. Caiu. Partiu-se aos bocadinhos. Mil e um cacos de coração quebrado. O pingo de dor caiu inevitavelmente. Fazer o quê?!
Sofri cada um dos mil e um cacos partidos. Juntei-os, era a minha obrigação. Tinha fita-cola na mesa-de-cabeceira. Colei-o. Ainda ferido e fraco, levanta-se. Há-de de se erguer novamente. Por agora fica a alma, o peso da memória. Cada um dos cacos guardou o que de melhor havia, e deixou o que de pior existia. A afeição vai sempre ficar, mas por agora passou.
Não volta a acontecer. Vou guardar-te melhor desta vez, eu prometo.
como de normal, por aqui também:
08 Abril, 2007
29 Março, 2007
Sentimento escondido
Ouço vozes. Não consigo distinguir nenhuma delas. São tantas que não consigo apanhar uma frase inteira. É como se se atropelassem umas ás outras. Um acidente. Bum! Não se percebe nada. Há algo escondido lá dentro. Quero perceber o que é. Tento por para fora. Engasguei-me. Esforço e vomito-as, são palavras. Palavras que, por sinal continuam como as vozes, sem qualquer nexo à partida. No meio de tantas palavras, sinto-me incapaz de formar uma frase. As palavras não conjugam umas com as outras. Enfim, hei-de arranjar algo…
Escuta, encontrei duas palavras que, aparentemente não se misturam, mas para mim até pode dar jeito.
- Amor e ódio – uma vez disseram-me que antes do amor, vem o ódio; eu penso que, em muitos fins de amor, o ódio retorna. E que, talvez mesmo no amor haja um certo ódio.
Ontem odiei-me por não te odiar;
Hoje amo-me por não te ter odiado ontem;
Amanhã vou me amar por te amar hoje.
Desde as vozes que se atropelavam, do sufoco até ao vómito das palavras, que tudo fazia sentido. Havia algo lá dentro. Era o…
- Sentimento escondido.
como habitual, também por aqui:
http://septvies.deviantart.com
Escuta, encontrei duas palavras que, aparentemente não se misturam, mas para mim até pode dar jeito.
- Amor e ódio – uma vez disseram-me que antes do amor, vem o ódio; eu penso que, em muitos fins de amor, o ódio retorna. E que, talvez mesmo no amor haja um certo ódio.
Ontem odiei-me por não te odiar;
Hoje amo-me por não te ter odiado ontem;
Amanhã vou me amar por te amar hoje.
Desde as vozes que se atropelavam, do sufoco até ao vómito das palavras, que tudo fazia sentido. Havia algo lá dentro. Era o…
- Sentimento escondido.
como habitual, também por aqui:
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27 Março, 2007
Perdi o tempo
Costumava contar os dias, assim como as horas, os minutos e até mesmo os segundos. Agora, encontro-me um bocado perdido no que toca ao tempo.
- Que tempo?
- Perguntas bem; nem eu sei bem dizer qual o tempo. É confuso, não achas?
Talvez eu seja também um tanto ou quanto confuso e esteja a fazer disto tudo uma grande confusão. Eu creio que este tal tempo tem algum significado. Faço uma ideia do que é, mas digo-te depois.
Lembro-me que a ultima vez que contei ia em dois meses, quatro dias, dezanove horas, vinte e seis minutos e cinquenta e três segundos. A partir dessa altura, não me recordo. Perdi-o. Já o procurei debaixo da cama, mas nada. Acho que vou procurar na gaveta das meias. Talvez devesse ter escrito, não sei. Também se tivesse escrito, provavelmente, perdia o papel e há tantos papeis que nunca mais o encontrava. Sorte a minha, hein?!
Remexi cá dentro, descobri que foi numa noite qualquer.
- Qual noite?
- Fazes sempre boas perguntas e eu nunca te sei responder. Foi aquela noite… em que Ela... aquela noite…
- Não percebi.
- Tudo se resume a Ela.
- Ela? Quem?
- Digo-te depois.
…Assim que a vi, caíram gotas de suor das minhas mãos, as pernas tremeram como se estivessem 10 graus negativos, ao contrário do peito que ardia como se estivessem 50 positivos. Os olhos fixaram-se nos dela. O coração acelerou de tal maneira que acabou por parar. Nessa altura, o tempo parou.
- Qual o tempo? Já estamos a falar de dois tempos diferentes.
Naquele instante em que os nossos olhos estabeleceram uma ligação tão forte, que aquilo que nos rodeava, desapareceu. É aí em que este tempo pára, em que o que se mexe, fica sem reacção; o que fala, cala. É como se o mundo fosse só eu e Ela, o resto não existisse.
- Isso quer dizer que encontraste o outro tempo?
- Não.
- Então?
- É complicado.
…O outro tempo, é o tempo que passou desde essa noite até hoje. Nunca mais a vi. É estranho. Com ela o tempo para, sem ela anda depressa de mais. Tão depressa que acabei por me perder nele, no tempo. Só sei que sinto a falta dela em cada minuto que passa e anseio por o poder juntar outra vez. O sol é nublado quando ela não está…
- Mas quem é ela?
- Hmm, é melhor ficar só para mim.
- Não vais perder como o tempo?
- Não, como o meu amigo Diniz diz – “vou guardar no meu cofre esquerdo”, a chave está no bolso das calças de ganga…
Também por estes lados:
http://septvies.deviantart.com/
- Que tempo?
- Perguntas bem; nem eu sei bem dizer qual o tempo. É confuso, não achas?
Talvez eu seja também um tanto ou quanto confuso e esteja a fazer disto tudo uma grande confusão. Eu creio que este tal tempo tem algum significado. Faço uma ideia do que é, mas digo-te depois.
Lembro-me que a ultima vez que contei ia em dois meses, quatro dias, dezanove horas, vinte e seis minutos e cinquenta e três segundos. A partir dessa altura, não me recordo. Perdi-o. Já o procurei debaixo da cama, mas nada. Acho que vou procurar na gaveta das meias. Talvez devesse ter escrito, não sei. Também se tivesse escrito, provavelmente, perdia o papel e há tantos papeis que nunca mais o encontrava. Sorte a minha, hein?!
Remexi cá dentro, descobri que foi numa noite qualquer.
- Qual noite?
- Fazes sempre boas perguntas e eu nunca te sei responder. Foi aquela noite… em que Ela... aquela noite…
- Não percebi.
- Tudo se resume a Ela.
- Ela? Quem?
- Digo-te depois.
…Assim que a vi, caíram gotas de suor das minhas mãos, as pernas tremeram como se estivessem 10 graus negativos, ao contrário do peito que ardia como se estivessem 50 positivos. Os olhos fixaram-se nos dela. O coração acelerou de tal maneira que acabou por parar. Nessa altura, o tempo parou.
- Qual o tempo? Já estamos a falar de dois tempos diferentes.
Naquele instante em que os nossos olhos estabeleceram uma ligação tão forte, que aquilo que nos rodeava, desapareceu. É aí em que este tempo pára, em que o que se mexe, fica sem reacção; o que fala, cala. É como se o mundo fosse só eu e Ela, o resto não existisse.
- Isso quer dizer que encontraste o outro tempo?
- Não.
- Então?
- É complicado.
…O outro tempo, é o tempo que passou desde essa noite até hoje. Nunca mais a vi. É estranho. Com ela o tempo para, sem ela anda depressa de mais. Tão depressa que acabei por me perder nele, no tempo. Só sei que sinto a falta dela em cada minuto que passa e anseio por o poder juntar outra vez. O sol é nublado quando ela não está…
- Mas quem é ela?
- Hmm, é melhor ficar só para mim.
- Não vais perder como o tempo?
- Não, como o meu amigo Diniz diz – “vou guardar no meu cofre esquerdo”, a chave está no bolso das calças de ganga…
Também por estes lados:
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25 Março, 2007
Escuta, é aqui.
Aqui, onde ninguém nos ouve mas que todos escutam.
Aqui, onde a cor da pessoa que escreve é igual à cor daquela que escuta... e volta a escutar.
Até já
Aqui, onde a cor da pessoa que escreve é igual à cor daquela que escuta... e volta a escutar.
Até já
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