Eu tinha-lo na palma das minhas mãos, parecia tão seguro e inquebrável. Pensei que, fizesse o que fizesse, ele nunca cairia. Continuo certo de que, por mim, ainda estaria intacto, sem feridas nem choros, que por mim estaria sempre, sempre seguro.
Acabei por descobrir que não estava só nas minhas mãos, logo, não dependia só de mim. Podia cair a qualquer momento e eu não teria como evitar.
Isso aconteceu hoje, ontem, agora ou à bocado. Veio acontecendo há dias, ou semanas. Meses?! Talvez. Nunca anos. Aquilo só existe há meses.
Foi caindo lentamente, não houve qualquer tipo de aviso prévio. Eu sabia que se algo acontecesse, não poderia fazer nada. Ainda o tentei puxar para cima, mas sem êxito. Vai-se partir. Porquê?...
…A outra mão que o segurava, tropeçou. Deixou-o passar por entre os dedos, e a consequente queda do mesmo, foi inevitável.
Aí vai ele, outra vez, caindo desamparado sem maneira possível de o amparar. Já foi, não havia hipótese. Caiu. Partiu-se aos bocadinhos. Mil e um cacos de coração quebrado. O pingo de dor caiu inevitavelmente. Fazer o quê?!
Sofri cada um dos mil e um cacos partidos. Juntei-os, era a minha obrigação. Tinha fita-cola na mesa-de-cabeceira. Colei-o. Ainda ferido e fraco, levanta-se. Há-de de se erguer novamente. Por agora fica a alma, o peso da memória. Cada um dos cacos guardou o que de melhor havia, e deixou o que de pior existia. A afeição vai sempre ficar, mas por agora passou.
Não volta a acontecer. Vou guardar-te melhor desta vez, eu prometo.
como de normal, por aqui também:
08 abril, 2007
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